Pediatras se engajam na rede de prevenção  e combate à violência infantil

Isabel Carmen Freitas, da Sociedade Baiana de Pediatria, destaca ações para diagnóstico e medidas preventivas durante consultas


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Ana Cristina 05/12/2019 16:22 Saúde

Diante do aumento da violência urbana e o crescimento de quase 600% nos casos de homicídio no país, nas duas últimas décadas (1980-2014), os pediatras assumiram um papel importante na rede de profissionais que tenta frear os indicadores envolvendo crianças e adolescentes.

Dados apresentados pela hebiatra da Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape) e professora associada do Departamento de Pediatria da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Isabel Carmen Freitas, mostram os diversos fatores que culminam para ocorrências de violência que acaba sendo identificada durante as consultas clínicas com o pediatra. O trabalho infanto-juvenil e a existência de crianças e adolescentes em situação de rua são algumas das causas para o cenário de violência física, emocional e sexual.

“Isso repercute hoje sobre a mortalidade das crianças e adolescentes, sendo que no estado da Bahia a violência já ultrapassa as mortes por acidente, representando a principal causa de óbitos de 5 a 19 anos”, afirma a professora.

Uma vez percebidas as suspeitas de violência, os pediatras registram os traços em uma Ficha de Notificação, o que viabiliza o encaminhamento para acolhimento com equipe multiprofissional para tratar lesões, reorganizar vínculos afetivos e prevenir novas situação de violência, como destaca Isabel Freitas, que também coordena o Núcleo de Estudos em Medicina da Adolescência da Ufba e dos ambulatórios de Medicina da Adolescência do Hospital Universitário Professor Edgar Santos (Complexo Hupes) e é professora de Pediatria da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP).

Dados

Uma pesquisa censitária do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda, 2019) identificou 23.973 crianças e adolescentes em situação de rua. Dessas, 59,1% dormem na casa de sua família (pais, parentes ou amigos) e trabalham na rua. A faixa etária predominante é entre 12 e 15 anos (45,13%) e a maioria é do sexo masculino (71,8%).

Aproximadamente um terço (29,5%) delas costumam pedir dinheiro ou alimentos para sobrevivência e mais de 65% exercem algum tipo de atividade remunerada. A pobreza foi apontada como principal motivo para ida às ruas. Segundo o levantamento, 12,9% de crianças e adolescentes foram impedidos por algum motivo de receber atendimento na rede de saúde.

“A violência se tornou um problema de saúde pública […] a importância do pediatra na Atenção Básica não é meramente uma defesa profissional, mas é também um ato em defesa dos direitos das crianças e adolescentes por um melhor atendimento, por necessidades em saúde mais adequadas. Para isso, o pediatra tem que melhorar sua capacitação do ponto de vista de atendimento de demandas psicossociais”, pontua a hebiatra, que realizou uma apresentação sobre o tema no último dia 29.

Durante a aula, ela expôs os diversos documentos produzidos pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) nos últimos anos que ajudam na capacitação dos pediatras, além de citar “estratégias que podem ser usadas, como a importância do lazer, do esporte, das artes, o estímulo à profissionalização regulamentada e a escola como promotora de saúde, que trabalhe na mediação e resolução de conflitos”. Ela também defendeu mudanças na história clínica, “que precisa ter uma conotação menos biologicista e mais psicossocial”.

Com informações da Sobape.

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