Mãe de pet também é mãe!

Portal M! conta a história de duas tutoras de animais de estimação, que compartilham vínculos de amor incondicional com seus filhos de quatro patas


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Bruno Brito 12/05/2024 11:00 Cidades

No Dia das Mães, celebramos o amor materno em todas as suas formas, e isso inclui também aquelas mulheres que têm filhos um pouco diferentes: os peludos, com patas e focinhos. Ser mãe de pet vai muito além de cuidar de um animal de estimação – é um vínculo de amor incondicional, cuidado e companheirismo que merece ser reconhecido e celebrado.

São muitos os episódios de amor e dedicação aos pets, como o caso da gestora de Recursos Humanos, Renata Cerqueira, e seu cachorrinho Nick, de 5 anos e 5 meses. A relação entre os dois teve início em 9 de dezembro de 2019, quando o filhote tinha um mês de vida. Ao Portal M!, ela lembrou que o começo foi um pouco assustador, mas afirma que não se arrepende.

“Eu achava que não ia dar conta, porém foi a melhor escolha que fiz. Todos os dias, ao sair para trabalhar, deixava aos cuidados de uma tia e quando retornava, ia buscá-lo. E isso acontece até hoje. Um amor que eu não sabia que existia, um sentimento indescritível”, contou. 

Com uma doença infectocontagiosa chamada cinomose, Nick exige cuidados constantes e atenção redobrada. Apesar disso, Renata enfatizou se tratar de uma responsabilidade natural e que não pode ser minimizada. “É uma condição grave, quase fatal. Somente 15% dos cachorros sobrevivem e com um tratamento que fizemos e que acontece até hoje, ele está bem. Porém, exige cuidados com medicações, revisão com a veterinária, vacinas e alimentação”, descreveu. 

Segundo ela, os maiores cuidados estão ligados aos horários para administrar as medicações necessárias e com a alimentação, além da preocupação em promover bem-estar, permitindo que ele tenha uma vida confortável.

“Quando descobri a doença, foi bem difícil. Eram seis remédios por dia, e tive que conciliar meu trabalho com os horários das medicações. Para isso, tive a ajuda fundamental de uma tia. Não foi fácil, fiquei assustada, achava que não fosse dar conta. Por várias vezes, pensei que ele não ia resistir, mas com esforço e a garra que ele tem, vive bem e feliz”.

Importância emocional

A importância de Nick na vida da gestora de RH se reflete também no aspecto emocional. Por morar sozinha, Renata enfatizou que, ao longo de quase seis anos, o cachorrinho não a permite se sentir solitária. “A presença de Nick na minha vida me tirou de lugares que, sem a presença dele, seria muito mais difícil de sair. São quase seis anos que não me sinto só. A verdade é que ele é que cuida de mim”.

Perguntada sobre a visão da sociedade acerca do termo ‘mãe de pet’, Renata disse que a opção é carregada de desafios e lamentou o fato de muitas pessoas não respeitarem quem faz essa escolha. “Ser mãe de pet é um desafio tão grande como de uma criança. Os cuidados são praticamente os mesmos. Mas, em geral, não somos tão bem vistos pela sociedade. Muitas pessoas os enxergam apenas como animais que devem fazer graça para o dono. Um pensamento totalmente falho”, enfatizou. 

Mãe de pet por acaso 

Quem também tem uma história de amor incondicional com seu pet é a assistente do administrativo financeiro, Isabela Melo. Ela, que adotou Lucky em 2019, contou que não tinha a intenção de acolher nenhum animal. No entanto, se apaixonou ao conhecer o filhote de pinscher com poodle.

“Eu não queria adotar nenhum animal. Fui olhar uns filhotes que haviam nascido, sem compromisso, mas não resisti e acabei me apaixonando de imediato. Lucky era o mais quietinho, tão comportado que cheguei até a achar que ele tinha algum problema. Por fim, acabei adotando-o. Na época, ele tinha apenas 1 mês e 12 dias, e hoje está com 5 anos, e não se parece nenhum pouco com o cachorrinho amedrontado de antes”, relatou. 

Hoje, mais de quatro anos depois, o cachorro é o seu grande xodó e conta com diversos cuidados encarados até como exagerados por algumas pessoas. “Além de comer ração sem corante, eu costumo intercalar entre arroz cozido com fígado cozido e/ou pé de galinha, ambos sem sal. Dou verduras cozidas para ele e mantenho uma alimentação balanceada e rica em ferro. Não dou nenhum tipo de comida com sal, nem osso. Tem quem diga que é frescura, mas só eu sei o quão importante é esse cuidado com a alimentação de um ser que tanto amamos”, contou.

A preocupação de Isabela se dá porque sua mãe teve um pinscher que acabou morrendo de anemia profunda. “Isso fez com que eu tivesse alguns cuidados um tanto exagerados”, justificou.

Além da alimentação adequada e balanceada, os cuidados com o pequeno Lucky também envolvem banhos semanais com sabonete adequado para cães, exames de rotina anual, cuidado com os dentes e administração de vacinas.

Foto: Acervo Pessoal

Sentimento maior até do que por algumas pessoas

Os cuidados e preocupações de Isabela com Lucky demonstram o tamanho do sentimento existente. Segundo ela, em alguns casos, isso supera o que nutre por algumas pessoas.

“O sentimento que eu tenho pelo meu cachorro é igual, e às vezes até maior, do que o sentimento que tenho por algumas pessoas. Lucky é como se fosse uma pessoa para mim. Todas as preocupações, todo o cuidado e todos os gastos que tive com ele durante esses anos não demonstram nem um terço de todo o amor que sinto por ele”, disse.

Ela também lamentou que existam pessoas que não entendam essa relação. “Há quem diga que é falta do que fazer e que devo arrumar um filho de verdade. Essas pessoas não entendem o quão bem esse serzinho pode fazer em nossa vida. Não escolhi ser mãe de pet, mas acabei me tornando uma e não me arrependo nem um minuto”, concluiu.

 
 
 
 
 
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