Alemanha resiste à pressão da Otan; envio de tanques à Ucrânia divide aliados
“Centenas de ‘obrigado’ não são centenas de tanques”, afirmou o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski
A Ucrânia e os aliados da Otan aumentaram a pressão sobre a Alemanha nesta sexta-feira (20), para que Berlim autorize o envio de tanques Leopard 2 a Kiev, como parte do novo pacote de ajuda ocidental anunciado ao país do Leste Europeu. Representantes de mais de 50 países se reuniram na base aérea de Ramstein, no sudoeste alemão, com o objetivo de acelerar a entrega de armas pesadas, mas não conseguiram arrancar do governo de Olaf Scholz um compromisso quanto à liberação dos tanques.
“Centenas de ‘obrigado’ não são centenas de tanques”, afirmou o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, conectado às autoridades reunidas na Alemanha por videoconferência. Zelenski pediu pressa aos aliados na resolução dos conflitos que ainda impedem o envio dos tanques, e disse que o impasse favorece os russo, que cada vez mais se entrincheiram em suas posições defensivas. “Todos nós podemos usar milhares de palavras, mas não posso colocar palavras, em vez de armas necessárias, contra a artilharia russa.”
O raro impasse entre os aliados da Otan desde o começo da invasão russa na Ucrânia colocou os interesses das duas das principais economias do bloco em polos opostos. De um lado, os EUA pressionam politicamente a Alemanha para que ceda os tanques pedidos por Kiev, ou ao menos autorizem que países que receberam tanques alemães possam enviar os equipamentos para reforçar a linha de frente do conflito. De outro, está Berlim e sua tradição de décadas de aversão a questões militares desde o fim da 2ª. Guerra.
Mesmo pressionado, o governo alemão ainda não deu sinais de que vá ceder. Nas últimas semanas, o chanceler Olaf Scholz vinha deixando claro que a Alemanha não “entrará sozinha” no envio de tanques à Ucrânia, condicionando o envio dos Leopard 2 a uma ação americana para fornecer tanques M1 Abrams à Kiev- uma medida que Washington parece altamente relutante em tomar.
De acordo com funcionários dos EUA e da Alemanha que falaram em sigilo com a imprensa internacional, Scholz teria dito a Joe Biden, em uma ligação no começo da semana, que para Berlim enviar tanques, Washington precisaria enviar alguns dos seus também. A suposta exigência foi negada posteriormente por um porta-voz do governo alemão, Steffen Hebestreit, que disse na sexta que a Alemanha nunca teve uma “exigência” sobre tanques americanos.
Durante a reunião desta sexta, o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, afirmou que Berlim continua a pesar os prós e os contras do envio de tanques, mas negou que a Alemanha esteja “hesitando”, falando que se trata de “ter cuidado”. “Nenhum de nós ainda pode dizer quando uma decisão será tomada e como será a decisão”, disse ele
Autoridades americanas relutam em enviar seus tanques Abrams, justificando que eles usam combustível de aviação e são difíceis de manter – ao contrário dos Leopard alemães, movidos a diesel. Equipar as tropas ucranianas com os veículos americanos, argumentam autoridades dos EUA, forçariam Kiev a manter linhas logísticas muito mais longas e complexas.
Embora outros países-membros da Otan possuam tanques Leopard em seus arsenais – estima-se que 2 mil deles estejam disponíveis pelo continente ?, muitos dos países se dizem amarrados pela falta de autorização da Alemanha, uma vez que os acordos de exportação sobre armas fabricadas no país impediriam uma decisão unilateral ? o que é questionado por Berlim. Dois dias antes da reunião de ministros, na quarta-feira, 18, o primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, disse que enviaria 14 dos tanques Leopard de seu país para a Ucrânia, independentemente da aprovação do governo Scholz.
Em Moscou, o Kremlin minimizou o impacto potencial dos tanques de batalha ocidentais na Ucrânia. Em sua teleconferência diária com repórteres, o porta-voz Dmitri Peskov reiterou nesta sexta-feira o que tem sido a linha da Rússia desde o início de sua invasão: o fornecimento de armas ocidentais só aumentará o sofrimento dos ucranianos antes da inevitável vitória da Rússia.
“Dissemos repetidamente que tais entregas não serão capazes de mudar nada”, disse Peskov, de acordo com a agência de notícias Interfax. O porta-voz ainda completou: “Vemos um crescente envolvimento indireto e às vezes direto dos países da Otan neste conflito… Vemos uma devoção à ilusão dramática de que a Ucrânia pode ter sucesso no campo de batalha. Este é um dramático delírio da comunidade ocidental que mais de uma vez será motivo de pesar, disso temos certeza.”
Ajuda ocidental
Se o impasse com os Leopard permanece, um pacote de auxílio bilionário já está programado pela Otan para reforçar as tropas da Ucrânia na próxima fase da guerra. Os EUA anunciaram na quinta-feira, 19, o envio de 100 veículos blindados Stryker e 50 blindados Bradley como parte de um carregamento de cerca de US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 13 bilhões) em armas e equipamentos.
Na Europa, após uma reunião entre os secretários de defesa do Reino Undio e da Estonia com oficiais militares do Báltico e da Europa Central, os britânicos anunciaram o envio de tanques Challenger 2 para Kiev, além de se comprometerem em enviar 600 mísseis Brimstone.
A Estônia, por sua vez, afirmou que entregará seu maior pacote de ajuda militar desde o começo da guerra, incluindo armas antitanque e munição, no valor total de 113 milhões de euros (R$ 636 milhões).
Outros países assinaram uma promessa de apoio após a reunião, incluindo Polônia, Letônia, Lituânia, Dinamarca, República Checa Holanda e Eslováquia. Em um comunicado conjunto, eles disseram que estão comprometidos em “buscar coletivamente a entrega de um conjunto sem precedentes de doações ” em apoio à Ucrânia.
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