Lula diz que vai reconstruir o país e promete resgatar milhões da pobreza
Confira as principais propostas apresentadas pelo presidente no discurso de posse
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse neste domingo (1º), que, ao ser empossado, assume o compromisso de “reconstruir” o país e resgatar milhões da pobreza e da fome.
“É sobre estas terríveis ruínas que assumo o compromisso de, junto com o povo brasileiro, reconstruir o país e fazer novamente um Brasil de todos e para todos”, disse Lula, no primeiro discurso à Nação após ser empossado no Congresso Nacional como 39º presidente da República do Brasil.
Ele destacou a PEC da Transição, aprovada pelo Congresso para viabilizar o pagamento de R$ 600 no Bolsa Família, afirmando que “não seria justo e honesto pedir paciência para quem passa fome”.
“Diante do desastre orçamentário que recebemos, apresentei ao Congresso Nacional propostas que nos permitam apoiar a imensa camada da população que necessita do Estado para sobreviver. Agradeço à Câmara e ao Senado pela sensibilidade frente às urgências do povo brasileiro. Nossas primeiras ações visam a resgatar da fome 33 milhões de pessoas e resgatar da pobreza mais de 100 milhões de brasileiras e brasileiros, que suportaram a mais dura carga do projeto de destruição nacional que hoje se encerra”, discursou.
Para Lula, nenhuma Nação se ergueu – nem poderia – sobre a miséria de seu povo. “Este compromisso começa pela garantia de um programa Bolsa Família renovado, mais forte e mais justo, para atender a quem mais necessita”, disse.
Defesa do SUS
Lula reforçou que vai revogar o teto de gastos. Ao citar a atuação do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia da Covid-19, Lula disse que, “certamente”, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi a instituição “mais perseguida e prejudicada por uma estupidez chamada teto de gastos”.
“Vamos recompor os orçamentos da Saúde para garantir a assistência básica, a Farmácia Popular, promover o acesso à medicina especializada”, garantiu Lula no discurso. “Vamos recompor os orçamentos da Educação, investir em mais universidades, no ensino técnico, na universalização do acesso à internet, na ampliação das creches e no ensino público em tempo integral”.
“O modelo que propomos, aprovado nas urnas, exige, sim, compromisso com a responsabilidade, a credibilidade e a previsibilidade; e disso não vamos abrir mão. Foi com realismo orçamentário, fiscal e monetário, buscando a estabilidade, controlando a inflação e respeitando contratos que governamos este país”, declarou.
Projeto de reindustrialização
Lula afirmou que o Brasil é grande demais para renunciar a seu potencial produtivo e defendeu a reindustrialização e a oferta de serviços e insumos no país.
“Não faz sentido importar combustíveis, fertilizantes, plataformas de petróleo, microprocessadores, aeronaves e satélites. Temos capacidade técnica, capitais e mercado em grau suficiente para retomar a industrialização e a oferta de serviços em nível competitivo”, disse.
De acordo com Lula, o Brasil pode e deve figurar na primeira linha da economia global e destacou o papel do Estado na articulação da transição digital.
“Caberá ao Estado articular a transição digital e trazer a indústria brasileira para o século XXI, com uma política industrial que apoie a inovação, estimule a cooperação público-privada, fortaleça a ciência e a tecnologia e garanta acesso a financiamentos com custos adequados”, destacou.
Reforma Trabalhista
Durante seu discurso, o presidente empossado afirmou que dialogará com governos, centrais sindicais e empresários a elaboração de uma nova legislação trabalhista, sem citar a reforma aprovada durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).
“Garantir a liberdade de empreender, ao lado da proteção social, é um grande desafio nos tempos de hoje”, disse Lula. O presidente prometeu retomar a política de valorização permanente do salário-mínimo e acabar com a fila do INSS.
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