Confira trajetória de Rui Costa: de ‘rejeitado’ a ministro-chefe da Casa Civil

Governador assume pasta importante no governo Lula a partir de segunda-feira (2)


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redacao 31/12/2022 07:30 Política

O destino, decerto, tem sido generoso com Rui Costa Santos. Prestes a completar 60 anos, o governador da Bahia deixará, no dia 31 deste mês, o inquilinato no Palácio de Ondina para arriar as malas em Brasília.

O petista vai assumir o Ministério da Casa Civil, o coração do Governo Federal. A história de Rui Costa pode ser resumida com uma frase batida: “O mundo dá voltas”.

Em 2014, seu padrinho político, o hoje senador Jaques Wagner (PT), lutou contra tudo e todos para impor Rui como candidato à sua sucessão.

Driblou a desconfiança de Lula, que preferia José Sérgio Gabrielli, cuja gestão na Presidência na Petrobras encantou a velha reposa petista. Wagner, no entanto, manteve-se firme na sua intenção de fazer de Rui o governador da Bahia.

Para isso, o colocou em posições importantes em seu governo. Rui foi secretário de Relações Institucionais, fazendo a ‘ponte entre deputados estaduais e federais, prefeitos e senadores com o Executivo baiano. Pôde, com isso, criar lanços com os verdadeiros cabos eleitorais ou ‘vaqueiros de votos’.

Depois, foi para a toda poderosa Casa Civil, de onde pavimentou a sua candidatura ao Governo da Bahia.

 

Tratamento pejorativo

Rui sofreu resistência da planície do PT e também de aliados. Notas com apelidos escatológicos foram atribuídos a João Leão, que, depois de acertos políticos, topou ser vice do petista.

Sem jogo de cintura e passando ao largo de ser articulador político, o governador optou por ficar em sua zona de conforto e sustentar o título de trabalhador incansável, que lhe rendeu o apelido de ‘Rui Correria’.

Correndo ou não, a alcunha foi eficiente, e no subconsciente dos baianos, Rui é sinônimo de trabalho.

Contando a história desta forma, dá a impressão de que tudo foram flores na trajetória política de Rui. Só que não.,

 

Trapalhadas políticas 

Em 2020, numa jogada política atabalhoada, Rui Costa pinçou uma das idealizadoras da Ronda Maria da Penha para disputar a Prefeitura de Salvador com o pupilo de ACM Neto (União Brasil), Bruno Reis.

A impressão era de que Rui havia fechado os olhos para escolher a major Denice Santiago. Antes dela, o governador sondou a apresentadora do É de Casa, da TV Globo, Rita Batista, que declinou do convite.

Rui pouco se empenhou na campanha de Denice. Deixando-a obter menos de 20% dos votos naquela eleição, a derrota, óbvio, caiu no colo dele.

A mesma desatenção de Rui foi vista em 2016, quando da reeleição de ACM Neto ao Palácio Tomé de Souza. Sem mobilizar a base ou construir lideranças, o governador não apresentou um candidato. A omissão apenas possibilitou que a deputada federal Alice Portugal (PCdoB) fosse jogada aos leões. E eles a devoraram – Alice obteve 16% dos votos.

 

Trabalho na pandemia 

Se na política Rui ia mal das pernas, a gestão do estado continuava servindo de vitrine com o controle das contas públicas, mesmo em momento adverso com a pandemia da Covid -19.

Com pulso forte e sem titubear, Rui Costa tomou as rédeas para conter emergência sanitária. Juntou-se a outros governadores nordestinos para formar o Consórcio Nordeste, do qual foi coordenador.

Enfrentou denúncia de malversação de recursos com a compra de respiradores que não chegaram aos hospitais. As denúncias atingiram Bruno Dauster, então chefe da Casa Civil, que acabou pedindo demissão.

 

Força de Lula na Bahia

Em 2022, tudo confluía para Rui Costa ter um fim de governo melancólico. A sua sucessão foi permeada de jogadas equivocadas e erráticas.

Num acordo firmado por ele e os dois principais partidos – PP e PSD -, havia no radar a sua renúncia ao governo para disputar o Senado. Com isso, o vice-governador Joao Leão assumiria por oito meses.

Já o senador Otto Alencar desistiria da reeleição e focaria no Palácio de Ondina. O armistício estava feito. Dois dias depois, uma entrevista de Jaques Wagner a uma rádio implodiu o acordo e desfez a boa relação entre Leão e o PT.

Assim como Marcelo Nilo (Republicanos), Leão também abandonou o barco petista e se aliou a ACM Neto, que já vinha há um ano planejando a candidatura ao governo.

Coube a Rui um arranjo doméstico para tapar o buraco deixado com a desistência de Wagner na disputa e depois de Otto.

Mais uma vez, o governador pinçou um candidato aos 45 do 2° tempo. O então secretário de Educação, Jerônimo Rodrigues, foi o ungido por Rui, que encarou sua eleição com um desafio de vida ou morte política.

Rui e a militância mergulharam na tarefa. Com a ajuda do maior cabo eleitoral do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, Rui conseguiu fazer seu sucessor, o que o credenciou a chefiar o Ministério da Casa Civil.

Há quem acredite que se a gestão na Casa Civil mesclar administração e política, Rui pode sair fortalecido para a sucessão de Lula em 2026. A conferir.

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