CCJ do Senado aprova PEC da Transição que amplia teto de gastos para pagar Bolsa Família
Texto deve ser votado em plenário nesta quarta (7) e depois segue para a Câmara
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta terça-feira (6) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição, que tem como objetivo principal assegurar o pagamento de R$ 600 do Bolsa Família (atual Auxílio Brasil) a partir de 2023.
O texto foi aprovado com três mudanças principais em relação à versão inicial proposta pela transição do futuro governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT):
– O espaço adicional dentro do teto de gastos para acomodar o Bolsa Família caiu dos R$ 175 bilhões iniciais para R$ 145 bilhões;
– O prazo de vigência dessas regras para o Bolsa Família passou de quatro para dois anos;
– O prazo para o governo eleito encaminhar ao Congresso uma proposta de “novo regime fiscal” em substituição ao teto de gastos passou de um ano para oito meses.
A PEC da Transição garante que Lula tenha uma margem no Orçamento da União dos próximos dois anos para manter os R$ 600 mensais do atual Auxílio Brasil na retomada do Bolsa Família, já a partir de janeiro.
O governo eleito também prometeu uma parcela adicional de R$ 150 para cada criança de até 6 anos na família. A equipe de Lula espera, ainda, usar parte da folga orçamentária aberta pela PEC para honrar outras promessas de campanha – Farmácia Popular, reajuste da merenda escolar e do salário mínimo e retomada dos programas de moradia popular, por exemplo.
Próximo passo
Com a aprovação na CCJ, o texto segue para o plenário do Senado, onde deve ser votado nesta quarta-feira (7). A PEC precisa de pelo menos 49 votos favoráveis, em dois turnos. Se isso ocorrer, a proposta segue para a Câmara dos Deputados.
A equipe petista corre contra o tempo porque quer aprovar a proposta antes da votação do Orçamento de 2023, prevista para o fim deste mês. No Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), estarão detalhados os valores de cada programa do novo governo, inclusive o Bolsa Família.
Alexandre Silveira afirmou nesta terça que seguirá o relator da PEC no plenário – e que há “uma grande chance” de que o texto seja votado já nesta quarta.
Teto mais alto
O relator da PEC da Transição, Alexandre Silveira (PSD-MG), prevê no parecer a ampliação do teto de gastos – barreira fiscal que limita as despesas públicas e proíbe o governo aumentar gastos acima do que foi registrado no ano anterior acrescido da inflação.
Essa ampliação, de acordo com o relatório, será de no máximo R$ 145 bilhões – R$ 30 bilhões a menos do montante estimado para custear o Bolsa Família.
A PEC não vincula esses recursos obrigatoriamente ao benefício. O texto deixa o dinheiro ‘solto’, sem carimbo, o que pode abrir brecha para parlamentares remanejarem a verba no orçamento dos próximos anos.
Inicialmente, Silveira incluiu no relatório o limite de R$ 175 bilhões proposto pelo governo eleito para a expansão do teto de gastos. O valor corresponde ao orçamento total do Bolsa Família previsto para o ano que vem. Após solicitação de parlamentares aliados ao presidente Jair Bolsonaro (PL), no entanto, o valor foi reduzido.
Redução não coloca Bolsa Família em risco
A redução de R$ 30 bilhões no valor da PEC não coloca o custeio do Bolsa Família em risco, a princípio. Isso porque a proposta de Orçamento de 2023 já reservava R$ 105 bilhões para o Auxílio Brasil. Ou seja, na prática, o valor disponível para o governo será de R$ 105 bilhões (já reservados) + R$ 145 bilhões (abertos se a PEC for aprovada em definitivo).
A previsão de gastos do Bolsa Família cabe nesses valores com alguma folga. O governo eleito, no entanto, esperava abrir uma folga ainda maior para viabilizar outras promessas de campanha.
A proposta inicial de ampliar o teto de gastos em R$ 175 bilhões gerou reação negativa no mercado financeiro e em partidos com bancadas expressivas no Congresso. Este cenário levou Alexandre Silveira a propor uma elevação menor do limite de despesas.
Nova âncora fiscal
Segundo o projeto, o teto de gastos deverá ser substituído por outra âncora fiscal. A PEC fixa prazo de oito meses, até agosto de 2023, para o avanço desse debate.
Até o fim desse prazo, o Presidente da República deverá encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar “com objetivo de instituir regime fiscal sustentável para garantir a estabilidade macroeconômica do país e criar as condições adequadas ao crescimento socioeconômico”.
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) diz que o governo não pode criar despesa ou expandir políticas públicas sem antes apontar uma fonte de financiamento para bancar tal ação. O parecer de Silveira dispensa o governo de cumprir a regra em caso de aumento de despesas com o Bolsa Família e o Auxílio Gás.
A necessidade de mais recursos para o Bolsa Família existe, pois o presidente Jair Bolsonaro reservou apenas R$ 105 bilhões para o programa em 2023, o que garante uma parcela de R$ 405 mensais. Para completar os R$ 600 e conceder R$ 150 por criança, são necessários mais R$ 70 bilhões.
O impacto anual da PEC é de R$ 168,9 bilhões por ano, pois o texto permite ainda o uso de R$ 23 bilhões em investimentos já neste ano. Esse acréscimo é a única parte que ficará fora do teto, diferentemente dos R$ 145 bilhões.
O valor extra também poderá ser destinado à liberação de R$ 7,7 bilhões em emendas de relator, chamadas de orçamento secreto pela falta de transparência e critérios na distribuição dos recursos entre os parlamentares. O montante está hoje bloqueado justamente para cumprimento do teto.
O desbloqueio é uma demanda do Centrão para aprovar a PEC. Desta forma, deputados e senadores conseguirão cumprir promessas de campanha destravando obras, por exemplo, em seus redutos eleitorais.
* Com informações do Portal G1
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