“Nessas eleições, Bolsonaro foi subestimado nas pesquisas e Lula foi superestimado”, diz Wilson Gomes

Cientista político avaliou o cenário das eleições presidenciáveis: “Os lados ficaram todos muito frustrados”


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redacao 05/10/2022 11:59 Política

O primeiro turno das eleições acabou, mas os resultados ainda vêm sendo repercutidos em toda a sociedade. Houve algumas surpresas, diferentemente do que as pesquisas apontaram, como a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, e a força expressiva do atual presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL).

Em entrevista ao editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra, no programa Nova Manhã da rádio Nova Brasil FM, desta quarta-feira (5), o professor e cientista político Wilson Gomes, fez uma avaliação diante o resultado nas urnas e a confirmação do antagonismo entre os dois candidatos a Presidência da República.

“Os lados ficaram todos muito frustrados. Aparentemente alguns bolsonaristas estavam pensando que iriam perder as eleições facilmente, mas também houve uma parte importante do bolsonarismo que achava que iria levar o primeiro turno. O que a gente viu nessas eleições foi que Bolsonaro foi subestimado nas pesquisas e Lula foi superestimado. Deve ter alguma razão relacionada com as metodologias das pesquisas.”, destacou.

Outra razão que o cientista político aponta sobre o resultado das apurações foi o julgamento das intenções de voto sem avaliar as abstenções e quantidade de eleitores que iriam votar. 

“A questão de se fechar as pesquisas na qual jornalismo chamava de votos válidos, quando o julgamento sobre os votos válidos depende das abstenções e de quantas pessoas irão votar, além de saber de quais faixas esses eleitores saíram e de quais segmentos foram utilizados se tornam um fator. Ou seja, há um problema não só de metodologia de pesquisa, mas da própria compreensão da pesquisa e esses fatores acabaram surpreendendo a população.”

Ao longo de toda a apuração dos votos válidos, o candidato Jair Bolsonaro (PL) se manteve na frente do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entretanto, aproximando-se da casa dos 70% das urnas apuradas, houve uma virada do candidato petista.

Wilson Gomes, explica o que se deu essa virada surpreedente do petista no final das apurações.

“Isso tem uma razão e se dá a peculiaridade dessa eleição neste ano. No Acre, a eleição foi antecipada e o fechamento também. Normalmente, quando começava a mostrar os votos apurados, já tinha uma hora de apuração, porque só podia ser divulgado depois que fechasse no Acre. O retrato mais próximo do final só apareceu mais tarde.”

Em relação ao voto conservador, Wilson Gomes afirmou que por mais que a sociedade seja conservadora, o início desse episódio não seu deu em 2018.

“É muito mais o fato de consolidação e institucionalização do bolsonarismo, e isso vai ter efeitos mais futuros. Imaginávamos que o bolsonarismo fosse uma espécie de ‘onda’, ela surge, vem e vai embora. Aparentemente não é uma onda, e sim uma nova institucionalização que ganhou formação mais estável através dos mandatos parlamentares que se espalharam.”

Considerado como uma terceira via de opção para quebrar o paradigma entre Lula e Bolsonaro, o candidato pedetista Ciro Gomes (PDT) acabou saindo destas eleições surpreendido após ter sido superado pela candidata Simone Tebet (MDB), que ficou como a terceira mais votada entre os presidenciáveis.

Questionado sobre a falha de consolidação do pedetista, o especialista afirmou que Ciro Gomes possuía as piores circunstâncias devido à restauração de Lula nas eleições.

“Ciro tem uma boa reputação, uma campanha de dinâmica interna, já vi muitos candidatos que mudaram a campanha devido aos adversários. Você tenta uma estratégia e ela não funciona, vem os ajustes, comentem os erros na tentativa destes ajustes, e vai chegando perto do pleito e não dar certo, assim funciona a campanha. Ciro tinha as piores circunstâncias possíveis, porque quando ele anuncia a sua campanha e contrata o marqueteiro, é justamente o período de restauração de Lula e coincidiu com isso, o que ficou difícil para o pedetista. Ele só podia prosperar se Lula saísse ou se acontecesse alguma coisa”, frisou Wilson.

Dentre as mudanças citadas pelo cientista político sobre a campanha de Ciro Gomes, foi a espécie dele ser um candidato de ex-apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, entretanto, para isso acontecer o pedetista precisava ter uma distância de Lula.

“Ele apostou em ser um candidato que tivesse votos dos bolsonaristas desiludidos ou até mesmo de ex-bolsonaristas, porém para isso, ele precisava se distanciar de Lula e ficou um jogo ambíguo. Não precisa atacar os dois lados ao mesmo tempo, um dos lados é o que eu tenho uma relação histórica, pessoas da esquerda é que gostam de Ciro. A direita não comprou Ciro, então teve votos da direita que fizeram pitshop em Ciro, assim como votos da esquerda também fizeram isso e depois retornaram para suas bases”, comentou.

*Confira a entrevista na íntegra:

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