“O Brasil não corre risco de desabastecimento”, diz o CEO da Acelen ao descartar “culpa” da empresa na alta dos combustíveis
Luiz de Mendonça falou sobre os preços dos combustíveis e explicou que as refinarias e importações do país tem suprido a demanda
Para o CEO da Acelen, empresa que gere a refinaria de Mataripe, Luiz de Mendonça, mesmo com as tensões no país devido ao preço dos combustíveis, o Brasil não corre o risco de desabastecimento.
Na avaliação dele, durante entrevista nesta sexta-feira (15), com o colunista de A Tarde e editor-chefe do Portal M!, Osvaldo Lyra, tudo pode acontecer, mas as importações e demais refinarias do país têm conseguido suprir a demanda.
“Como eu disse, tudo pode mudar, mas acho que nesse momento o Brasil mais as importações têm conseguido achar os volumes que precisa. Os estoques da cadeia estão saudáveis, acho que as refinarias brasileiras estão respondendo bem, aumentaram a produção. Talvez ele tenha existido em algum momento, ou se a gente tivesse alterado ou ficado profundamente descolado do mercado internacional, mas sem grandes rupturas, sem grandes aventuras, eu acho que esse risco não existe a médio prazo”, disse Luiz Mendonça.
Recentemente, o Congresso aprovou a PEC 15/2022 que força a queda dos preços dos combustíveis nos postos do Brasil – questão que foi altamente discutida por conta dos impostos (ICMS) cobrados pelas gestões estaduais no valor final dos produtos, situação que tem causado instabilidade no mercado e sobre a inflação do país. O CEO da Acelen o momento é sim instável, porém sempre vai haver uma demanda de mercado.
“Se eu tentar te dizer o que vai ser do preço dos combustíveis nos próximos meses, eu com certeza vou errar. E se alguém disser que sabe, vai estar mentindo. Acho que as oscilações têm sido diárias, semanais. Eu acho assim: o mercado de energia vai continuar sendo bastante exigido. Esse é o cenário. Acho que a ruptura que teve no cenário internacional foi muito importante. Eu acho que o Brasil não corre risco de desabastecimento desde que ele se mantenha inserido dentro da realidade mundial”, analisou o CEO da Acelen.
“Agora, iniciativas do tipo reduzir temporariamente a carga tributária, a gente vê como super positivas. Isso faz parte do ato de governar. Eventualmente, você faz um vale caminhoneiro, também acho que faz parte. Agora, é só não confundir tudo isso com intervenção de preço, congelamento de preço, porque isso… A gente já viu essa história no mundo todo, é um filme que o mocinho sempre morre no final. Isso não dá certo. Isso cria um certo momento artificial e leva, como eu disse… Os mercados se comunicam e isso leva ao desabastecimento”, acrescentou.
Questionado sobre até onde a Acelen e a refinaria têm culpa nessas altas dos preços dos combustíveis na Bahia, Luiz disse que “culpa nenhuma”. “Acho que a responsabilidade é com manter o abastecimento e manter o parque de refino nacional atualizado. Senão, ele vai desaparecer. Essa é a realidade no mundo. Agora, não existe commodity talvez ou produto mais internacional do que petróleo, do que derivado”, disse.
“Não adianta a gente tentar escapar dessa realidade. Mas se faltar diesel no Japão, vai apertar o mercado de diesel no Brasil, se faltar gasolina nos Estados Unidos, vai apertar o mercado de gasolina no Brasil. Não tem como escapar. O produto se movimenta e ele tem uma lógica internacional. O que nós colocamos, e a gente tem a agilidade de uma empresa privada, é que a gente toda semana está olhando essas movimentações de preço. Para cima, para baixo. É só isso? Não. Eu olho meus concorrentes. Eu não perco a venda. Então, quando o pessoal fala, ah, o preço na Bahia está muito caro. Primeiro, está caro no mundo”, explicou Luiz.
O CEO da refinaria de Mataripe ainda explicou sobre a perspectiva de que o preço para o consumidor final não é somente praticado em cima do preço de revenda nas refinarias. O consumidor paga nas bombas o valor aplicado em cima de distribuição, lucro, e impostos.
“Acho que o pessoal confunde preço na bomba com o preço da refinaria. O preço da refinaria é uma parcela importante, mas não tão fundamental assim do preço da bomba. Ela é 35-40% talvez do preço da bomba. Na cadeia, você tem o custo de distribuição, a margem de distribuição, o lucro do posto, e os impostos. Então, às vezes a gente, ou a Petrobras, ou a refinaria, fica parecendo que é ela que está vendendo ali no posto. Não”, falou.
“A gente entrega um produto em uma base de distribuição, e a partir dali ele faz ainda um longo caminho até os postos, e com um impacto fiscal muito importante. Como eu disse, a nossa visão política é de ser competitivo. Até por isso que a gente não perde venda, subimos nossos volumes. Se eu não estivesse sendo competitivo, eu não estaria conseguindo vender os volumes de gasolina, de diesel, de outros produtos que a gente está vendendo. Mas não dá para ser desconectado do que está acontecendo no mundo, a gente tem uma crise de energia, um risco grande de desabastecimento, se a gente não seguir o resto do mundo”, emendou.
Uma guerra nesse meio.
Luiz de Mendonça seguiu a explicação e citou a guerra da Rússia na Ucrânia. Para ele, o mercado brasileiro deve estar acompanhando as movimentações internacionais para não “custar muito caro para o abastecimento brasileiro”
“A barbárie que foi feita na Ucrânia. O pessoal fala “ah, a gasolina”. Mas vamos lá. A Ucrânia é um produtor de trigo. Subiu o preço da commodity, dos alimentos. O Brasil é um grande produtor de carne, minério de ferro, não é por isso que o Brasil vai vender carne abaixo do mercado mundial. Não deveria. Porque vai prejudicar a produção, o investimento da cadeia. Então, acho que é isso. Nossa filosofia é: ser bastante ágil nos ajustes e acompanhar o mercado como um todo. O mercado brasileiro, meus concorrentes, não perder venda. Mas não tirar o olho do que está acontecendo lá fora também”, pontuou.
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