Rodrigo Santoro protagoniza a série “Sem Limites”, megaprodução que estreia nesta sexta
Brasileiro interpreta Fernão de Magalhães em um dos maiores orçamentos da história do streaming espanhol
Rodrigo Santos vai desbravar um território inexplorado ao estrear no streaming espanhol como protagonista da superprodução “Sem Limites”, que chega ao Brasil, no Amazon Prime Video, a partir dests sexta (8).
No épico de aventura, ação e drama interpreta o lendário navegador português Fernão de Magalhães (1480 – 1521) na expedição que viria a se tornar a primeira volta ao mundo marítima da história, façanha que completa meio século este ano, na qual apenas 18 dos 239 tripulantes sobreviveram.
A minissérie orçada em ? 30 milhões – um dos maiores investimentos da história do país – traz ainda Álvaro Morte, um dos mais celebrados atores ibéricos na atualidade (mais conhecido por aqui como o “professor” do sucesso “La Casa de Papel”), na pele do capitão Juan Sebastián Elcano (1476 – 1526). O inglês Simon West (“Tomb Raider”) assina a direção do projeto de seis episódios rodado em 2021 na Espanha e República Dominicana.
Rodrigo estava em São Paulo filmando o longa-metragem brasileiro “7 Prisioneiros” (vencedor de dois prêmios no Festival de Veneza de 2021) quando lhe chegou às mãos o roteiro junto com o convite para interpretar o explorador na série. Impactou-se de cara com a história, mas pediu que a produção espanhola esperasse o término do trabalho vigente, bem como as férias que viriam na sequência, para só então dar uma resposta.
Os planos de viagem, porém, foram interrompidos pelo lockdown em todo o país somente poucos dias após o fim das filmagens. Confinado com a família em sua casa no Rio, mergulhou de cabeça na trajetória da personagem histórica, por quem ficou completamente intrigado, enquanto as negociações com a produtora espanhola ainda transcorriam.
“Magalhães esteve presente comigo em grande parte do tempo durante a pandemia. Descobri muitas coisas que não sabia ao estudar a personagem, primeiro na internet e depois na literatura. Aprendi de cara que foi ele quem nomeou o Oceano Pacífico, que existem duas crateras na lua e duas constelações batizadas em sua homenagem, mas sobretudo, que sua história é fascinante”, conta.
Rodrigo constatou também que Magalhães é uma figura polêmica, percebido nos dias de hoje como um traidor da pátria por alguns e como um herói por outros. Depois de descobrir o estreito, a maior e mais importante passagem natural entre os oceanos Atlântico e Pacífico, o navegador solicitou à corte portuguesa o financiamento para uma expedição às Ilhas das Especiarias, na Indonésia.
Como Magalhães acreditava que chegaria à região mais rapidamente se viajasse na direção oposta, contornando a ponta da América do Sul, rota que não era controlada pelos portugueses, o rei Manuel I rejeitou a ideia. O explorador ofereceu então os seus serviços ao arquirrival do monarca português, o rei da Espanha, Carlos I, que aceitou sua proposta.
“Magalhães é uma personagem muito intrigante porque à primeira vista é só um grande navegador, o cara valente que enfrentou o oceano e descobriu o estreito. Mas pesquisando mais a fundo descobri várias camadas em sua história. Ele se tornou órfão muito cedo e cresceu na corte, mas não era nobre. Ele era muito querido pelo rei, mas tinha uma relação conflituosa com o seu sucessor. Tem uma série de intrigas. Era um cara cheio de conflitos e profundas contradições, o que o humaniza. A humanização dos personagens é algo que sempre tento levar aos papéis que represento”, revela.
Tais elementos aumentaram o fascínio do ator pela personagem. Já com o contrato assinado, ele aprofundou a pesquisa que já havia iniciado em páginas da internet com uma abordagem mais investigativa. Através da recomendação de um amigo, recorreu aos conhecimentos da historiadora espanhola Vanessa de Cruz, sem saber que ela estava escrevendo uma tese de doutorado sobre a história do navegador português.
“Como eu já havia estudado o assunto por conta própria e porque parte do que havia apurado na internet até então poderia não ser verdadeiro, tinha muitas perguntas a fazer. Nesse trabalho de checagem com a Vanessa sugiram muitas informações valiosas sobre Magalhães. Ela me mandou um monte de material, entre textos e imagens. Tive acesso até ao testamento dele. Foi um verdadeiro deleite, sou muito curioso e gosto de pesquisar, é uma parte do trabalho que me intriga e me motiva”, explica.
Amazon Prime Video
Extremamente comprometido com o ofício, Rodrigo costuma ir além do escopo quando se trata da construção de seus personagens. Embora projetos em língua espanhola não fossem uma novidade na carreira – vide os longas-metragens “Che” (partes I e II), “Leonera” e mais recentemente “Un Traductor”, dos irmãos Barriuso (em que também fala russo) -, até então só havia praticado versões latino-americanas do idioma. Por conta própria decidiu fazer aulas com uma professora nativa para aprender os sotaques e maneirismos da língua local.
“A professora gostou do meu espanhol, mas concordou que era distinto do original. Os sotaques são muito diferentes. Ainda que Fernão de Magalhães fosse português, ele aprendeu a falar espanhol na Espanha, então iniciou-se ali o primeiro grande desafio. Pode parecer um pouco de preciosismo, ninguém me pressionou a fazer as aulas, mas achei que era muito importante para a autenticidade da personagem e da história como um todo”, lembra.
Além das barreiras linguísticas, havia outros obstáculos a superar. A trama é repleta de cenas de ação, lutas corporais e duelos de espada, exigindo muitos ensaios técnicos. O momento da pandemia na Europa – o ator viajou para a Espanha em março de 2021 – também impôs uma série de cuidados e restrições, com testagens de covid diárias, ao longo dos quatro meses de ensaios e filmagem.
“Claro que todo mundo que trabalhou durante esse período teve uma experiência parecida, mas nunca tinha vivido nada igual, com tantas limitações e a aplicação de todos os protocolos possíveis e imagináveis”, conta.
A ótima parceria com Álvaro Morte também foi essencial para a veracidade da narrativa e para a construção da química em cena entre os dois personagens.
“Foi muito importante contar com ele criativamente nesse dia a dia. A nossa meta primordial era aprofundar essa relação entre Magalhães e Elcano. Foi um processo de criatividade constante e o Simon nos apoiou o tempo todo”, atesta. “Foram inúmeros os desafios, mas tínhamos uma piada interna sempre que pintava alguma dificuldade: ‘pense em Magalhães e Elcano a 500 anos atrás sem gps'”, diverte-se o ator.
Acostumado a integrar grandes produções do gênero (“300”, “Westworld” e “Ben-Hur”, para citar algumas), Rodrigo não economiza palavras para enaltecer a equipe da série, que alça ao patamar dos projetos que fez em Hollywood, a Meca do entretenimento mundial.
“Foi uma das equipes mais incríveis com que trabalhei, a preocupação de todos com a autenticidade era gigantesca. O Shelly Johnson, nosso diretor de fotografia, era um craque. Filmamos as externas de Norte a Sul na Espanha e na República Dominicana, mas a maior parte das cenas com efeitos especiais foram feitas em estúdio. Ele tinha filmado o ‘Greyhound’, com o Tom Hanks, que também se passa em um navio, inteiramente nesse formato. Eles colocaram o barco dentro de um domo azul e ele conseguia programar a luz através de um software, de acordo com o horário em que a cena deveria se passar, com uma rapidez incrível”, lembra o ator.
“A direção de arte de Alain Bainée também é extraordinária. Ele conseguiu espadas que eram verdadeiras relíquias da época, figurinos incríveis. Os barcos eram extraordinários. Um deles era tão perfeito que foi doado para um museu espanhol”, continua.
Veja trailer:
Carreira no cinema
Embora tenha iniciado o seu percurso no início dos anos 90, em séries e novelas, foi na virada do século, ao fazer seu primeiro protagonista nas telonas, que Rodrigo passou da categoria de ator promissor para a de principal revelação do país.
No filme “Bicho de 7 Cabeças” (2000), de Laís Bodansky, um dos grandes sucessos do cinema nacional daquele ano, viveu Neto, um adolescente submetido ao cotidiano infernal de um hospício, quando o pai encontra uma pequena quantidade de maconha em seu bolso. A atuação, aclamada pela crítica especializada, rendeu-lhe diversos prêmios e transformou a sua carreira definitivamente
Na esteira do êxito do longa-metragem, interpretou consecutivamente outros dois personagens memoráveis, nos filmes “Abril Despedaçado” (2001), de Walter Salles, e “Carandiru” (2003), de Hector Babenco, este último no célebre papel da transsexual Lady Di, consolidando-se como um dos grandes jovens atores do cinema do país. E foi no meio tempo entre os dois lançamentos que chegou ao set de sua primeira produção internacional, o telefilme “Em Roma na Primavera” (2003), do diretor Robert Allan Ackerman.
“O Robert Allan Ackerman assistiu a ‘Bicho de Sete Cabeças’ no Festival de Biarritz e perguntou à Laís Bodansky: ‘Quem é o ator desse filme? Quero falar com ele.’ Em poucos dias meu pai recebeu um telefonema do cineasta perguntando se eu poderia ir para Los Angeles fazer um teste. Concordei sem titubear. Eles pagaram a minha passagem, eu fui e consegui o papel”, lembra o ator.
Daquele ponto em diante, as portas de Hollywood – e do cinema estrangeiro como um todo – se abriram para o ator. Aos poucos foi construindo a carreira no exterior, em filmes como “Simplesmente Amor”, “O Golpista do Ano”, “O que Esperar Quando Você Está Esperando” e “Os 33”.
O sucesso internacional não afastou Rodrigo do audiovisual brasileiro. Ele mantém sua casa com a família no Rio de Janeiro e vem participando de diversas séries e longas-metragens nos últimos anos, como “Heleno: o Príncipe Maldito”, “Reis e Ratos”, “Sessão de Terapia” e, mais recentemente, em “7 Prisioneiros”. O equilíbrio entre razão e intuição é essencial para Rodrigo na hora de escolher um projeto.
“As minhas escolhas misturam razão e intuição. A razão vai me dizer o que as experiências que eu tive me ensinaram, porque sou resultado das coisas que vivi, como todos nós. Mas, por outro lado, confio muito na minha intuição. Tenho uma escuta muito alerta e muito sincera comigo mesmo. Presto muita atenção nas minhas emoções, elas são as guias das necessidades, do que estou precisando naquele momento ou do que que está me fazendo mal”, reflete.
“No processo de ‘Sem Limites’, por exemplo, o roteiro conversou comigo, me senti estimulado e gostei da personagem. Na pesquisa, fui ficando mais e mais intrigado com o Magalhães e isso tudo constrói uma atmosfera. Aí comecei a ver quem estava no projeto, os atores, o diretor, a equipe técnica, e isso acabou moldando a decisão”, conclui.
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