Biden diz estar disposto a “responder militarmente” se a China invadir Taiwan

Em coletivo com o primeiro-ministro do Japão, presidente dos Estados Unidos afirmou que a China “já está flertando com o perigo”


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Bruno Brito 23/05/2022 18:35 Internacional

O presidente americano Joe Biden disse, nesta segunda-feira (23), que os Estados Unidos estão dispostos a responder “militarmente” se a China intervir em Taiwan com uso de força. “Esse é o compromisso que assumimos”, afirmou Biden a repórteres em Tóquio.

Em entrevista coletiva conjunta com o primeiro-ministro japonês Fumio Kishida, Biden afirmou que: “nós concordamos com a política de Uma China. Aderimos a ela, e todos os acordos resultantes feitos a partir daí, mas a ideia de que Taiwan pode ser tomada à força, é (simplesmente não) apropriada”.

No ano passado, o presidente norte-americano fez declarações semelhantes, mas a Casa Branca interviu e afirmou que a política de longa data dos EUA não mudou em relação à ilha. Os EUA fornecem armas defensivas a Taiwan, mas permanecem intencionalmente ambíguos sobre uma possível intervenção militar no caso de um ataque chinês.

Sob a política “Uma China”, os EUA reconhecem a posição chinesa de que Taiwan é parte da China, mas nunca reconheceram oficialmente a reivindicação de Pequim à ilha de 23 milhões de habitantes.

Em um comunicado após os comentários de Biden na segunda-feira, um funcionário da Casa Branca disse que a posição oficial dos EUA permanece inalterada. “Como o presidente disse, nossa política não mudou. Ele reiterou nossa política de Uma China e nosso compromisso com a paz e a estabilidade em todo o Estreito de Taiwan. Ele também reiterou nosso compromisso sob a Lei de Relações de Taiwan de fornecer ao território os meios militares para se defender. “, disse o funcionário.

Taiwan fica a menos de 177 quilômetros da costa da China. Por mais de 70 anos, os dois lados foram governados separadamente, mas isso não impediu o Partido Comunista da China de reivindicar a ilha como sua – apesar de nunca tê-la controlado.

Nas últimas semanas, Pequim enviou dezenas de aviões de guerra para a Zona de Identificação de Defesa Aérea de Taiwan, e o líder chinês Xi Jinping disse que a “reunificação” entre China e Taiwan é inevitável, se recusando a descartar o uso da força.

Comparação

Biden comparou uma potencial invasão de Taiwan pela China com a invasão da Ucrânia pela Rússia no início deste ano, alertando: “Isso deslocará toda a região”. Ele também enfatizou que “a Rússia tem que pagar um preço de longo prazo por suas ações”.

“E a razão pela qual eu digo isso, não apenas sobre a Ucrânia – se, de fato, depois de tudo o que ele (Putin) fez, ocorrer uma reaproximação entre os ucranianos e a Rússia, e essas sanções não continuarem a ser sustentadas de muitas maneiras, então que sinal isso envia à China sobre o custo de tentar tomar Taiwan à força?”

Biden disse que a China “já está flertando com o perigo agora, voando tão perto e com todas as manobras que está realizando”.

“Mas os Estados Unidos estão comprometidos, nós assumimos um compromisso, apoiamos a política de Uma China, apoiamos tudo o que fizemos no passado, mas isso não significa, não significa que a China tenha a capacidade, tenha a, desculpe-me, jurisdição para entrar e usar a força para assumir Taiwan”, acrescentou.

Resposta da China

Em resposta a Biden, o Ministério das Relações Exteriores da China disse na segunda-feira que os EUA não devem defender a independência de Taiwan.

A China não tem espaço para compromissos ou concessões em questões relacionadas à sua soberania e integridade territorial, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Wang Wenbin em uma coletiva de imprensa em Pequim.

“Ninguém deve subestimar a firme resolução, vontade e capacidade do povo chinês de defender sua soberania nacional e integridade territorial e não deve se opor aos 1,4 bilhão de chineses”, disse Wang.

*Com informações da CNN Brasil

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