Coreógrafo Zebrinha produz documentário sobre a memória da dança negra na Bahia

Juri da Dança dos Famosos (TV Globo) falou sobre o processo produtivo do filme


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redacao 29/04/2022 08:06 Cultura

Nesta sexta-feira (29), é comemorado o Dia Internacional da Dança. Em Salvador, um dos principais lugares do mundo onde a arte é bastante diversificada, um dos mais importantes nomes do segmento no país, o bailarino e coreógrafo José Carlos Arandiba, mais conhecido como Zebrinha, está produzindo um documentário sobre a memória da dança na Bahia.

A expectativa é a de que o filme seja lançado no mês de novembro e é pautado pelas vivências, memórias e saberes das mestras e mestres, com entrevistas, performances e importantes registros guardados em imagens de arquivo.

O filme foi todo gravado em Salvador, no mês de março, e a previsão é que o lançamento aconteça em novembro deste ano. Zebrinha é idealizador, diretor e roteirista do projeto e conduz as entrevistas com artistas responsáveis por elevar a dança da Bahia ao reconhecimento nacional.

Além de Altair Amazonas e Silva, participam da obra Nadir Nóbrega, Clyde Morgan, Inaycira Falcão, Edeise Gomes, Edleuza Santos, Senzala, Luiz Bokanha, entre outras.

“A nossa história está sendo perdida. precisamos contar a nossa história pela boca de negros e negras como Amazonas”, diz ele, ao referir-se a uma das principais inspirações na dança. “Há muitas outras pessoas maravilhosas e que foram importantes para a história, mas que por limitação da duração do filme não puderam entrar no documentário”, completa Zebrinha.

O público poderá conhecer como esses artistas foram protagonistas de uma série de movimentos, a exemplo dos grupos Viva Bahia, Frutos Tropicais, Olodumaré, e do fortalecimento da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA). 

Na década de 1970, o afro-americano Clyde Morgan, um dos entrevistados, foi quem introduziu a dança negra na estrutura de ensino de uma das primeiras escolas de nível superior em dança do Brasil. 

O primeiro homem a estudar nesta Escola de Dança da Ufba foi Raimundo Bispo, o Mestre King, um dos homenageados pelo filme Memória da Dança na Bahia. 

“Conhecer a história na voz de protagonistas é um trabalho de pesquisa importante e fundamental para a preservação da memória da dança negra. Dar visibilidade ao protagonismo negro no Brasil é também aproximar toda a população de suas raízes. É entender heranças e criações fundamentais nas nossas práticas e que não encontramos explicações nos livros”, explica Zebrinha, que possui mais de quatro décadas dedicadas à dança.

Influências

Segundo ele, a decisão pela construção da filmagem foi tomada devido a influência de Amazonas. Antes, ele afirmou que sempre contou a própria história através da dança e, há tempo, nutria o desejo de contar as histórias de outros artistas negros como ele. 

“Até que um dia eu encontrei a dançarina Amazonas, no Centro de Salvador. Uma mulher maravilhosa e uma artista importantíssima para a dança, pioneira, em um momento ainda mais difícil para as mulheres negras e para toda a população negra”, detalha.

“Ela sempre foi altiva, corajosa, enfrentando o racismo e o machismo. Por conta de histórias como a de Amazonas eu decidi tocar o projeto deste filme”, acrescenta o coreógrafo.

Para ele, a dançarina Amazonas é a diva e inspiradora da dança negra na Bahia, de quem todo mundo era fã na década de 1970, sendo o destaque da companhia de dança folclórica Olodumaré, criada por Edvaldo Carneiro e Silva, o mestre de capoeira Camisa Rosa. 

Os ensaios e apresentações do grupo aconteciam no Teatro Castro Alves, atraindo a atenção da cidade para a presença marcante daquelas pessoas negras no espaço de reconhecimento da arte da Bahia.

“Quando aquela tropa de 20, 25 negros e negras, altivos, belos, saía do Teatro Castro Alves pelo Centro de Salvador, para mim, que era adolescente na época, era a grande inspiração. Eu comecei a saber o quanto eu valia a partir dali, a me achar bonito vendo Amazonas, a mulher mais bonita que tinha nesta cidade, de verdade”, lembra Zebrinha.

“Quando aquele grupo aparecia na rua, você só não se submetia a isso se você fosse muito ruim com você mesmo. Mas se você quisesse uma mudança de raciocínio e comportamento era imediato”, completa o dançarino.

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