Will Smith versus Chris Rock: Afinal, o humor tem limites? Humoristas baianos comentam

Will Smith foi proibido de ir a todos os eventos organizados pela Academia de Hollywood, inclusive ao Oscar, por 10 anos 


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redacao 10/04/2022 14:11 Cultura

O tapa que o astro do cinema Will Smith deu no rosto do humorista Chris Rock, durante a festa de premiação do Oscar, em 27 de março, ainda rende bons bocados. A agressão ocorreu após o comediante comparar a esposa de Will, Jada Pinkett Smith, à personagem de Demi Moore em “Até o Limite da Honra” – só porque as duas têm a cabeça raspada. O detalhe é que Jada sobre de uma doença que não tem cura, a alopecia, que causa queda de cabelo.

Por conta da ação, Will Smith foi proibido de ir a todos os eventos organizados pela Academia de Hollywood, inclusive ao Oscar, por 10 anos. A decisão foi tomada por diretores da instituição que se reuniram nesta sexta-feira (8). Will já havia renunciado à Academia, logo após o ocorrido. Ele também pediu desculpas a Chris, por meio de redes sociais.

Mas, afinal, até onde o humor pode ir? No mundo atual, contemporâneo e polarizado é válido promover altos risos e se fazer às custas de temas que, hoje em dia, são sensíveis à sociedade como o alto e o baixo, o gordo e o magro, o preto e o branco, homossexuais e loiras? Não muito distante dos dias de hoje, o humor em teatros, TV, cinema ou até mesmo no cotidiano dos ‘comediantes’ não havia qualquer tipo de limite. 

Qualquer um era alvo de uma ‘piada’ e digamos que, sob a luz dos tempos atuais, de muito mal gosto. Nada passava, podia ser uma pessoa com algum tipo de deficiência (cegos, cadeirantes, anões), negros, judeus e até os nossos colonizadores europeus não escapavam com o ‘parece até trabalho de português’.

No caso de Will e Chris não foi diferente. O ator principal de ‘Um Maluco no Pedaço’, cujos ambos já contracenaram, perdeu o controle ao ouvir a piada e, após o tapão, Smith disparou da plateia: “Mantenha o nome da minha esposa longe da p*rra da sua boca!”. A cena roubou a atenção evento e ofuscou a maior festa de cinema do mundo. 

Para o humorista Matheus Buente, 34 anos, o humor pode, sim, extrapolar os limites da sociedade e ‘gozar’ da cara de qualquer um. Ele pontua que a liberdade de expressão que um tem é a mesma que o outro tem. “O limite é até alguém levantar da plateia e dar um tapa na sua cara. Se você fala algo, a pessoa ofendida tem todo o direito de se manifestar”, disse o comediante ao Portal M!

Buente, que atua com stand-up em botecos de Salvador, assimila a comédia a uma relação. “Se eu falo algo e você não se incomoda, a gente vai levando. A partir do momento que você se sente incomodado, ofendido, o que seja, você tem todo o direito de falar. É igual uma relação. Quem coloca limites nas suas relações? É você mesmo”, falou o comediante que também atua como professor de História em escolas municipais da capital baiana.

Matheus Buente

Recentemente, o ator Leandro Hassum foi alvo de críticas pelo novo filme “Amor sem medida”, que conta a história de amor entre um homem anão e uma mulher, interpretada pela atriz Juliana Paes. O enredo do filme foi criticado pela atriz Juliana Caldas, que tem nanismo.

“Estamos vivendo em um mundo estranho. Cada vez mais vejo a individualidade aumentando. Difícil escrever sobre esse tema do vídeo, porque me dói. Ter que lembrar as pessoas sobre “Respeito”, cansa ter que falar o óbvio”, disse a atriz em sua página no Instagram. “Eu tô exausta, tô triste, mas não vou parar não. Seguimos. Me Respeitem. Nos Respeitem”, concluiu. Após o episódio, Hassum se desculpou e disse que não teve intenção de ofender, mas sim de mostrar uma lição de moral.

Segundo  Buente, tais temas que, antes, eram motivos de risos, ainda hoje continua, só que de uma forma velada. “Nada mudou de lá para cá. Todo mundo continua fazendo piada de tudo até hoje. O que muda é que as pessoas estão reagindo e isso é bom. Eu acho isso muito bom, mesmo porque a liberdade de expressão tem que se valer para os dois lados”, pontuou.

Em contrapartida, Renato Piaba, 65, pondera que a geração passada de humoristas tem que fazer uma ‘reciclagem’ sobre os temas atuais. “Eu sou um cara da geração passada, mas continuo dentro desta geração. Eu voltei para os palcos com muita força, pois não tinha intenção de retornar, mas vi que tinha muitos humoristas fracos por aí, sem respeito com as pautas atuais. Então, eu me readaptei e voltei”, falou em entrevista ao Portal M!.

Ele ainda lembrou de um dos shows que mais fez sucesso em sua carreira, o Dr Piaba. Naquela época, o humorista se munia de muitas frases de ofensas, principalmente a mulher loira, além de promover um avalanche de palavrões.

“Eu falava sobre a loira ser burra, sobre o negro ser mais forte, sobre p* pequeno. Hoje, nada mais disso entra nos meus shows e, principalmente, a homossexualidade. Eu bani porque é preciso ter um entendimento atual das coisas”, pontuou.

Renato Piaba

 

Ao relembrar da “Sex Machine”, Piaba dispara: “Se ela estivesse nos palcos hoje, eu já estaria preso. Aquilo era um outro momento e o humorista que não se atualiza, fica para trás. Eu sou de uma geração passada que falo com a geração atual. Falo para jovens de 20 a 35 anos”, comentou.

No caso de Will Smith e Cris Rock, Piaba pondera que Rock extrapolou os limites e que jamais poderia ter falado daquele jeito com Jada Smith. “Faltou qualidade no que ele disse. Se fosse para brincar, que fosse com qualidade, que ele dissesse que ela é tão linda que a beleza dela dispensa qualquer cabelo. Agora, brincar com uma coisa séria, não”.

“Sobre o tapa de Will, eu sou contra qualquer tipo de violência, mas isso tem limites. Então, digo que também entendo ele. Se alguém tocar nos meus filhos eu não sei o que faço e no caso dele, ele é casado com ela. Ele quis protege-la. Para mim, (Chris Rock) é o fraco da história que explorou uma fraqueza. Ele precisa amadurecer muito”, expressou Piaba.

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